A cotação do dólar fechou em alta nesta sexta-feira, 10, marcando um acréscimo de 1,00%, atingindo R$ 6,1024. Anteriormente, a moeda americana havia caído para o menor nível em quase um mês devido à valorização de commodities como minério de ferro e petróleo.
Impacto dos Indicadores Econômicos
Na sessão desta sexta, foram divulgados dados econômicos significativos que influenciaram o câmbio.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, por exemplo, apresentou uma alta de 0,52% em relação a novembro, resultando em uma inflação de 12 meses de 4,83% em 2024.
Nos Estados Unidos, o relatório de emprego payroll revelou a criação de 256 mil novas vagas, superando as expectativas e indicando uma economia americana robusta.
Não se veem muitas evidências de que uma desaceleração mais intensa do mercado de trabalho americano se aproxima, o que limita a margem de ação do Fed na condução da política monetária. Com o dado do payroll, acreditamos que uma pausa [nos cortes de juros] na reunião de janeiro se torne praticamente certa. — André Valério, economista sênior do Inter
Perspectivas para a Política Monetária
O forte desempenho do mercado de trabalho nos EUA, aliado à inflação acima da meta, reduziu as chances de cortes de juros pelo Fed no curto prazo.
Este cenário fez com que o real perdesse parte dos ganhos acumulados anteriormente, principalmente devido às incertezas fiscais internas e políticas internacionais.
Com a economia americana forte e inflação acima da meta, além das incertezas sobre o impacto das políticas de Trump, diminuíram muito as chances de o Fed cortar os juros neste primeiro semestre. — Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group
Peso dos Fatores Internos e Fiscais
No Brasil, o IPCA de dezembro veio conforme o esperado, confirmando uma pressão inflacionária significativa. Especialistas apontam que o desafiador cenário fiscal, somado à influência política, limita o interesse por ativos locais.
Este conjunto de fatores impacta a formação da taxa de câmbio, com analistas afirmando que, sem um compromisso sólido de estabilidade fiscal, o cenário poderá se agravar.
Mas no médio prazo, sem um choque de credibilidade fiscal, a perspectiva é de deterioração dos ativos, com a continuidade da precificação de dominância fiscal. Nesse quadro, dólar a R$ 6,00 é piso. — Daniel Miraglia