A semelhança entre o tango e a situação econômica da Argentina não se limita apenas à carga dramática.
Assim como a dança tem diversas variações, o país enfrenta múltiplas cotações do dólar para os turistas — o oficial, o blue e o de cartões. Contudo, esta realidade está prestes a mudar.
O presidente argentino, Javier Milei, declarou que os controles cambiais, conhecidos como cepo, serão retirados a partir do próximo ano.
Em 1º de janeiro de 2026, o cepo não existirá. Se houver um desembolso do FMI, podemos fazer isso mais rápido. É preciso avaliar como o programa será estruturado e como os recursos serão alocados, isso determinará a saída do cepo. — Javier Milei, Presidente da Argentina
A proposta inicial de Milei era implementar o dólar livre ainda este ano.
Contudo, isso depende da chegada de um apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), que pode acelerar o processo para 2025.
Em 2026, não haverá mais cepo na Argentina. — Javier Milei, em publicação no X
Impacto das Restrições Cambiais Atuais
A Argentina impôs diversas restrições cambiais nos últimos anos, limitando o acesso ao dólar para cidadãos e empresas.
Estas restrições incluem cotas para compra da moeda, variando conforme o objetivo da transação.
Possíveis Transformações Econômicas
A suspensão do cepo é aguardada com esperança, mas não resolve todos os problemas do país.
O câmbio forte representa um desafio, pois o mercado pode estabelecer valores elevados para a moeda, apesar das mudanças.
O câmbio forte é um problema que não será fácil de lidar. Acreditamos que, mesmo sem restrições, o mercado determinaria um valor da moeda que pode ser maior do que os atuais, mas não substancialmente maior. O desafio político é como fazê-lo funcionar para os setores menos produtivos. — Andres Borenstein e Sofia Ordonez, Analistas do BTG Pactual
As Reformas e o Futuro Econômico
Apesar das dificuldades, o governo de Milei está implementando reformas estruturais para melhorar a produtividade.
A redução de impostos será benéfica, mas precisa ser introduzida com cautela para manter a solvência fiscal.
A questão cambial adiciona sal e pimenta a essa equação, pois a moeda da Argentina está se valorizando em comparação a muitos parceiros comerciais, como México e Europa. — Andres Borenstein e Sofia Ordonez, Analistas do BTG Pactual