UE Anuncia Ações para Controlar Comércio Eletrônico Chinês

UE Anuncia Ações para Controlar Comércio Eletrônico Chinês

Não é apenas o Brasil que está atento à Shein, gigante chinesa envolvida no programa Remessa Conforme da Receita Federal. 

Na União Europeia (UE), a preocupação não se limita ao setor da moda ou à introdução de novas tarifas — o foco é examinar se produtos sendo vendidos por essas plataformas infringem normas de segurança ou legalidade na região.

A Comissão Europeia, a ala executiva da UE, está aplicando uma série de regulamentações digitais para monitorar plataformas de comércio eletrônico, como a Shein.

Proposta de Reforma Alfandegária

Na última quarta-feira (5), a Comissão Europeia anunciou planos para implementar uma reforma alfandegária exigindo que as plataformas compartilhem informações sobre os produtos enviados para a UE. 

Essa mudança proporcionaria uma maior supervisão das encomendas que adentram o território.

A iniciativa também prevê uma cooperação direta com as autoridades alfandegárias dos países-membros, a fim de retirar do mercado produtos que não estejam em conformidade.

“Queremos ver um setor de comércio eletrônico competitivo que mantenha os consumidores seguros, ofereça produtos convenientes e respeite o meio ambiente.” — Reguladora de Tecnologia da Comissão

Aumento Massivo de Importações

A missão da UE é desafiadora, considerando que no último ano foram importados 4,6 bilhões de itens com valor abaixo de 22 euros (aproximadamente R$ 132,86) para a UE — cerca de 12 milhões de encomendas diariamente, com 91% originárias da China.

O volume de mercadorias importadas em 2024 duplicou em relação a 2023. Apesar disso, a ideia de uma "taxação das blusinhas" ainda está sob análise. 

Em 2023, a Comissão Europeia propôs eliminar a isenção fiscal para encomendas abaixo de 150 euros (R$ 905) provenientes de sites internacionais fora do bloco.

Existe ainda a possibilidade de propor uma "taxa de manuseio" para cobrir os custos de fiscalização dessas importações.

Shein e as Preocupações Regulatórias

A investigação sobre a Shein também abrange suspeitas de que a plataforma esteja violando regras de proteção ao consumidor da UE.

A empresa chinesa afirmou que apoia os esforços para tornar as compras on-line mais seguras dentro da UE e destacou que seu modelo sob demanda busca aumentar a eficiência e diminuir o desperdício de materiais não utilizados e produtos não vendidos.

A Shein está enfrentando preocupações semelhantes fora da UE. No Reino Unido, a empresa está empenhada em convencer a população de que seus produtos são seguros e não exploram trabalhadores.

No campo financeiro, a Shein busca abrir capital na bolsa de Londres após um insucesso em Nova York, numa tentativa de expandir suas operações no mercado europeu.

Lincoln Marques

Sobre o Autor: Lincoln Marques

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